Me liga, me manda um telegrama, uma carta de amor…

Por Dani Souza**

Um dia desses eu tava andando pela rua, pensando tanto na morte da bezerra que quem quase virou bezerra fui eu. Tava assim, meio desligada, meio nada com nada, porque nada estava bem. Andar pelas bordas do abismo entre estar bem e mal faz a gente esquecer que pra não cair é preciso equilíbrio. É que nem andar de ônibus sem ter muito onde segurar. Se o chão balança a gente cai.

Não sei se você já esteve aqui, se já passou por isso ou se essa é a primeira vez que está contemplando a escuridão lá embaixo, com medo de se render. Primeira vez ou não, ofereço a mão. É sério, pode pegar. Não é tão simples quanto parece estar sozinho aqui. Se você não está aqui pelas bordas, e observa à distância, deixa eu lhe dizer que as coisas não são tão simples como o olhar externo pode acusar e alguém pode precisar da sua ajuda.

Talvez, se você já passou por isso, vai saber que de vez em quando a gente acha que tem que estar sozinho. Porque o outro não pode saber, porque admitir a proximidade da escuridão vai parecer fraqueza. Porque todo mundo passa por isso, por que é que você não conseguiria? Você consegue, é claro, mas pedir ajuda não é fraqueza nenhuma. Mas sabe, se você não pedir, pode ser que não saibam que você precisa de uma mão, de um abraço, de um colo ou de um ouvido.

Se a queda parecer iminente, pense na bailarina na corda bamba. Às vezes ela precisa de apoio para se equilibrar, e mesmo com uma vara nas mãos ela não perde a graça – você também não precisa perder a sua. Por isso, vou deixar aqui um link e um telefone. Se você precisar, alguém vai querer saber como vai você. Eu quero.

Centro de Valorização da Vida: 141

www.cvv.org.br

**Daniela Souza é mineira, jornalista e tem 1/4 de século de experiência em viver e deixar viver. Apaixonada por moda, arquitetura, política, ciência e nerdices. Dona do @ssouza_dani no Twitter e no Instagram.

 

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