Fortaleza de Papel

Por Dani Souza**

Uma fortaleza de papel me rodeia. Meu castelo é feito de páginas que me abrigam e me expõe, que me acolhem e me repelem de volta para o mundo, sempre um alguém novo. Minhas portas são páginas que se abrem para o horizonte da imaginação. São de livros as paredes da minha habitação.

Dentro de mim, DNA não são apenas letras e cada músculo é traduzido em palavras. E se há elasticidade e movimento na descrição do que me constitui fisicamente, aquilo que sinto não falha nunca em ser soletrado. Entre uma ponta e outra da narrativa desenrolo minha própria vida, tão intrincada em realidades paralelas e personagens tão meus quanto a eles pertenço.

Em uma vida viverei todas aquelas que puder ler, me cobrirei de dialetos como a lagarta cobre-se em um casulo e pela viagem à mente de outro pretendo tornar-me um ser alado, de asas delicadas, flexíveis e, sobretudo, independentes. A literatura é um convite à vida, às vidas que se pode ter. 

**Daniela Souza é mineira, jornalista e tem 1/4 de século de experiência em viver e deixar viver. Apaixonada por moda, arquitetura, política, ciência e nerdices. Dona do @ssouza_dani no Twitter e no Instagram.

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